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sábado, 29 de março de 2014

O Mercado e as Eleições

Formadores de Opinião

Sempre ouvimos que no Brasil o voto é decidido através dos formadores de opinião, que simpaticamente receberam de presente a sigla FO. Como explicita o nome, formadores de opinião são pessoas capazes de influenciar outras pessoas, normalmente muitas, em relação a assuntos de diferentes prismas como religião, economia, sociedade e também na política.

Eles existem

É público e notório que existem e sempre existirão os tais formadores de opinião, porém com o advento da internet e a popularização e diversificação das informações essa tarefa está cada vez menos concentrada e todos podem formar opiniões ou buscar embasamento para suas decisões.

A mão invisível

A ideia da mão invisível do capital pairando sobre a cabeça da população e ditando regras é sempre defendida por sociólogos de esquerda que vêem na possível vitória de um candidato direitista (no Brasil, não conheço ainda nenhum!), essa influência dominante.

Dilma cai...

Essa semana em pesquisa realizada pela CNI/IBOPE, Dilma Rousseff teve mais uma queda na avaliação de seu governo chegando a 36% de ótimo e bom, 35% de Regular e 27% de Ruim e Péssimo. Se isso lhe trouxe más notícias, teve gente e não foi só a oposição, que comemorou!

Um adendo

A aprovação de Dilma está muito próxima da aprovação de Lula em abril de 2.006. Esse dado dá a Dilma um alento, pois sabe que tem ainda tempo, tempo na TV, poder e dinheiro para reverter essa situação, mas lembro que essa é outra eleição, com outros candidatos e com outros eleitores.

... e a Bolsa sobe

Voltando a queda de Dilma, quem comemorou foi o mercado e a Bolsa de Valores que subiu de forma expressiva. Alguns agentes de mercado deixam clara a sua preferência por Aécio Neves. Na verdade o que o mercado deseja é um novo modelo de administração econômica, o que, no entender desses agentes, sob o jugo petista não ocorrerá.

O Mercado forma opiniões?

Pois é. Fica aqui uma dúvida que temos de avaliar. Se para os sociólogos de esquerda (além de mim, que outro cientista político seria de direita?) o mercado manda no Brasil e esse mercado se mostra totalmente favorável a eleição de Aécio Neves, pela lógica, Aécio Neves será o novo presidente do País. Mas, e se Dilma for reeleita? Qual será a tese apresentada?

Eu te disse, eu te disse

Venho falando há muito tempo através de diagnóstico (estudei pra isso!) e não por prognóstico (não sou vidente!) que o 2º turno aconteceria, mas AINDA vejo Dilma com boas chances de reeleição. Se assim ocorrer, creio que os "estudiosos" deverão repensar sua teoria e perceber que o Mercado faz parte de um organismo vivo chamado sociedade e que suas forças são limitadas, principalmente em um país onde boa parte da população tem benefícios governamentais e nem imaginam onde fica a Rua Boa Vista no centro de São Paulo

sexta-feira, 28 de março de 2014

Dilma cai, mas ainda vence

Pesquisa CNI/IBOPE

A pesquisa CNI/IBOPE divulgada ontem, 27.03.14, mostra que a avaliação positiva (soma de ótimo e bom) da presidente da República caiu, em apenas três meses, de 43% para 36%. A desaprovação (soma de ruim e péssimo) subiu de 20% para 27%.

Muito ruim

O resultado não é nada bom para Dilma, aliás, é muito ruim!
Lembro que a CPI da Petrobrás não teve ainda o devido destaque na mídia, que certamente gerará palanque eleitoral para Aécio Neves, grande articulador dessa comissão.
A tendência de queda é sempre uma notícia muito ruim.

2º turno

Há um ano, não por prognóstico, mas embasado em diagnósticos, afirmo que o 2º turno já era certo. Porém, a questão não é se vai para a prorrogação ou se termina no tempo normal, mas quem vence, quem será o campeão.

AINDA vence

Apesar do grande desejo de mudança da população, alguns dados mostram que os eleitores AINDA dariam a vitória a Dilma. A aprovação de sua forma de governar caiu de 56% para 51% e os que reprovam subiu de 36% para 43%. A maioria, 51% ainda a vê como boa governante.

O problema está no Regular

Você já esteve em uma situação parecida como essa? Você vai acompanhado(a) em um restaurante e ao sair pergunta? O que você achou desse restaurante? A sua companhia responde: mais ou menos!
E você insiste: Você voltaria nesse restaurante? Recebe como resposta: Sim!
O IBESPE adotou há muito tempo em seus estudos de avaliação de governo e produtos o Regular Bom e Regular Ruim, justamente para entender o "mais ou menos".

O regular de Dilma

Por estudos podemos crer que 50% daqueles que disseram que Regular aprovariam o governo, isto é, seria um mais ou menos pra bom! Falamos, portanto, de 18% de regular de aprovação mais 36% de aprovação, resultando em 54%, número muito próximo dos 51% que aprovam o seu governo.

Eu insisto!

Já falei sobre estudos que mostram que, desde a redemocratização do Brasil, mais de 90% dos governos com aprovação acima de 50%, saíram vencedores da eleição. Aliado a esses estudos, temos que nada menos que 70% dos candidatos que foram para reeleição, venceram.

Força do governo

Governos têm mais o que mostrar, mesmo que tenham feito pouco, têm mais dinheiro e barganha para realizar, mais tempo na TV que é o momento de consolidação com o eleitor e por fim, têm a seu favor, uma população que tem medo de mudanças.
Enfim, o 2º turno é certo, mas a vitória de Dilma, AINDA, também é!


sexta-feira, 21 de março de 2014

Pesquisa Ibope - Haverá 2º turno

Pesquisa Ibope

Nessa 5ª feira o Ibope divulgou nova pesquisa eleitoral e o resultado já era esperado. Dilma 43%, Aécio 15% e Campos 7%.

Marina Silva

O fenômeno Marina Silva não tem mais força! Podemos concluir dessa forma, pois Marina, após a campanha de 2.010 com mais de 20 milhões de votos, é muito conhecida, porém hoje não emplacaria. Quando seu nome é colocado no disco de respostas tem apenas 12%!

Campos X Marina

Se um dia alguém pensou que era melhor Marina ser a cabeça da chapa, após essa pesquisa fica claro que não! Campos tem algo que ela não possui mais: Potencial de Crescimento!

1º turno

Os dados da pesquisa revelam que se a eleição fosse hoje, Dilma venceria no 1º turno? Não, a pesquisa não mostra isso! Mostra apenas que Dilma, por ser conhecida por quase 100% da população brasileira, HOJE tem 43% de intenção de votos.

Desejo de mudança

Essa não é a primeira pesquisa que demonstra que a população tem o desejo de mudança, mais do que isso, esse número não é baixo, 64%. O que significa esse desejo? Pense você leitor(a): Se alguém lhe perguntar se você está feliz em seu casamento ou gostaria de mudar alguma coisa e sua nota fosse 64% de desejo de mudança. Quer dizer o óbvio: você não quer ficar com a sua esposa(o). Não é óbvio?

27%

27% esperam que as mudanças no governo ocorram sob a tutela de Dilma, mas essas pessoas podem ser facilmente impactadas com uma campanha de marketing da oposição perguntando: você que quer mudança, acha que após 12 anos de governo isso vai ocorrer? 63% das pessoas querem mudança e querem alguém diferente para fazer isso!

Te conheço?

Você confiaria em quem você não conhece? Se pessoalmente as pessoas pensam como você, a cabeça do eleitor funciona da mesma forma! 93% conhecem Dilma, 73% conhecem Aécio e 65% conhecem Campos.
Aqui há um reparo a fazer: As pessoas conhecem Dilma, pois a vem todos os dias na TV, conhecem sua forma de falar, de pensar, tudo! Já Aécio e Campos, a maioria certamente os conhecem apenas de vê-los, uma vez ou outra na TV. Mais nada! Resumindo: terão muito a conhecer.

TV a consolidação

Você eleitor não sabe o porque dessa "briga de faca" por causa de tempo na TV na campanha eleitoral, não é? Na verdade, desde a redemocratização do País e a campanha inovadora de Fernando Collor nos anos 80, profissionais descobriram que a eleição começa, quando iniciam os programas eleitorais gratuitos. Apesar de começar meses antes, a consolidação se dá no início da propaganda eleitoral gratuita. Dilma tem muito a mostrar? A oposição tem muito a mostrar e criticar? Aqui, dependerá do talento de informações estratégicas advindas de diagnósticos eleitorais bem feitos e de uma ótima campanha de marketing.

Dilma leva vantagem?

Dilma leva vantagem por ter muito mais tempo na TV? Em termos, já que ela já possui, como presidente, muito mais espaço na TV hoje em dia.
Quem terá a oportunidade de aparecer, falar de projetos e propostas, com o discurso, serão os oposicionistas.
Aqui uma ressalva: serão eles capazes de dizer o que o povo quer ouvir?

Campos, o novo Collor

Se o ex-presidente Lula quis comparar de forma crítica Campos com o ex-presidente Collor dizendo que ele é uma novidade perigosa, ele pode estar certo!
O perigo é contra a reeleição de Dilma, pois pelo tamanho do desejo de mudança da população (64%) e pelo baixo conhecimento desse pré-candidato, Dilma deve colocar as "barbas de molho".

Crítica

Porque o Ibope entrevistou 14 pessoas em Peruíbe que possui pouca mais de 50 mil habitantes e 7 pessoas em Campinas que possui mais de 1 milhão de habitantes?
A proporcionalidade conforme os parâmetros adotados pelo IBGE são importantíssimos!

Haverá 2º turno

Essa pesquisa aponta o que há mais de um ano vem afirmando: eleição de 2.014 não será fácil e tem tudo para ter o 2º turno.

Já vi a ponta...

Essa pesquisa como todas as outras mostram apenas a ponta do iceberg. Porém, o cruzamento entre o grau de conhecimento no candidato e a chance de votar em no candidato, traz o potencial de crescimento, estudo que já elucidei em outro post. Esse estudo certamente foi realizado e entregue ao contratante, o próprio Ibope.


segunda-feira, 17 de março de 2014

Análise equivocada de Marcos Coimbra do Vox Populi


Carta Capital

Marcos Coimbra, presidente do instituto de pesquisas de opinião, Vox Populi, faz análises para a revista Carta Capital.

Lula e Dilma

Coimbra sustenta que a situação de Dilma para as próximas eleições são muito similares a situação de Lula em 2.006. Vamos aos dados que embasam sua análise...

Aprovação de Governo

Em fevereiro de 2.006 a aprovação do governo Lula, resultante da soma entre aqueles que consideravam o governo ótimo e bom era de 37%. Em março passou para 42%, abril 37%, maio 39%, julho 38%, agosto 45%, setembro 49% e outubro, mês no pleito, 53%.

Percebam..

Volto a citar um axioma eleitoral: governos com aprovação de governo acima de 51% têm acima de 90% de chances de vencer uma eleição.
Notem portanto que esse fato ocorreu (e não errei de novo!) em 2.006.

O poder da TV

Políticos estão sempre em campanha, mas legalmente ela tem a data certa para o seu início. Mas a consolidação de um nome e sua candidatura em nível estadual e federal, ocorrem mesmo com o programa eleitoral. Notem, novamente, que a aprovação do governo Lula em um patamar muito próximo (abaixo muitas vezes) dos 40% até entrar a TV na jogada.

Semelhanças

Sim, Coimbra acerta em dizer que existem semelhanças entre os dois momentos, mas erra ao não notar que elas estão muito ligadas ao tema aprovação de governo.

Diferença I

Algumas diferenças são enormes, exemplo: os nomes e os respectivos pesos são outros. Em 2.006 os candidatos eram: Lula/PT, Alckmin/PSDB, Heloísa Helena/Psol, Cristovam Buarque/PDT, Ana Maria Rangel/PRP, Eymael/PSDC, Luciano Bivar/PSL e Rui Costa/PCO.
Agora, até o momento temos os seguintes pré-candidatos: Dilma/PT, Aécio/PSDB, Eduardo Campos/PSB, Randolfe Rodrigues/Psol.
Dilma terá pela frente, menos concorrentes, mas com peso regional maior. Esse é o primeiro perigo para sua reeleição.

Diferença II

Claro que teremos que acompanhar a evolução da aprovação de seu governo, porém, Lula sempre foi um ótimo "advogado", com ótima oratória e sabe falar o que o povo deseja ouvir.
Dilma, apesar do tempo de TV, poderá ter mais dificuldades.

Nossas pesquisas

Há mais de um ano, mesmo em tempos de aprovação de governo nas alturas, sustento que o 2º turno é certo, de acordo com nossos estudo de potenciais de voto e cresciemento.
O 2º será uma nova eleição e Dilma, diferente do que afirma Coimbra, corre sim grandes riscos.




domingo, 23 de fevereiro de 2014

Pesquisa Ibope/Estadão


Problemas de Avaliação
Um dos temas mais importantes para uma reeleição tranquila é a Avaliação de Governo.
Historicamente, em mais de 90% dos casos de reeleição após a redemocratização do País, o governo do gestor da hora tinha na soma de ótimo e bom, mais de 50%.
A Presidente Dilma Rousseff teve, na última pesquisa Ibope/Estadão uma pequena queda, de 43% de Dezembro de 2.013 para 39% em Fevereiro de 2.014.
O momento seria de consolidação e não de queda.
O governo deve se preocupar...

Marqueteiros e Estrategistas
Sempre alerto para a confusão que há entre o marqueteiro e o estrategista político.
O primeiro deve se preocupar com a imagem do candidato e da campanha e o segundo deve mostrar que caminho o primeiro deve seguir.
O estrategista, técnico e racional, baseia-se em pesquisas científicas, já o marqueteiro em seu talento e intuição.

Profecias do Marketing
João Santana, marqueteiro do PT, afirmou peremptoriamente após a primeira pesquisa de opinião durante as manifestações de Junho de 2.013 que derrubou a avaliação de Dilma e de todos os políticos brasileiros, que em no máximo 4 meses haveria uma recuperação.
Faltou racionalidade.

Parecia Fácil
A reeleição de Dilma Rousseff já foi dada como certa com a necessidade de apenas um turno.
Agora, cogita-se a necessidade de um segundo turno.
Ainda é cedo...

Pesquisas IBESPE
Em Abril de 2.013 o IBESPE através de um disco de respostas com as fotos de Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos, entrevistou 1.200 pessoas na RMBS - Região Metropolitana da Baixada Santista com o seguinte questionamento: Você poderia me dizer qual o nome desses 3 políticos brasileiros?
O resultado final: Dilma Rousseff foi reconhecida por 100% dos entrevistados; Aécio Neves por 27% e Eduardo Campo por 14%.

Só compro aonde eu conheço
Como o eleitor só vota em quem conhece, nossa pesquisa cruzada com as pesquisas publicadas resultam em dados preocupantes para o governo, isto é, Dilma tem pouco ou quase nenhum espaço para crescimento, já os adversários...
Por Marcelo Di Giuseppe